Santa Catarina vive sua pior tragégia dos últimos anos.

A chuva desabrigou, matou e trouxe de novo a exposição de algo que era conhecido: a má ocupação do solo nos municípios brasileiros.

Legisla-se, quando se legisla, muito mal sobre áreas que são de moradia no país. O amontoado das periferias brasilerias é sinal nítido de como mora e dorme quem é pobre neste país. Dá-lhe Bolsa Família que o pão – do pão e circo – já está garantido. Morar bem e com segurança é pra bacana, pensam suas excelências.

É claro que nenhuma legislação, por melhor que fosse, evitaria as inundações, dado o recorde de chuvas que caiu sobre o estado. Mas me refiro aqui ao número de mortos e desabrigados. Previsivelmente evitável, em sua maioria.

Na segunda-feira, conversando com Maria Lúcia Herrmann, da Universidade Federal de Santa Catarina, que coordena o grupo que monitora desastres naturais, chega-se a conclusão de que faltou, no mínimo, zêlo do poder público com o público.

Maria Lúcia revela que boa parte das áreas e morros que sofreram com deslizamenteos e provocaram dezenas de mortes e dezenas de milhares de desabrigados já foram cenário de outras tragédias.

Mesmo assim foram reocupados pela população numa falta de política habitacional coerente e respeitosa com o cidadão.

Nas cidades brasilerias, em que prefeituras fazem apenas o fácil porque não querem se indispor com o eleitor amontoado nos morros, as pessoas vão ficando e quando a chuva vem, deslizam para a morte ou para centros de desabrigados.

O Governo Federal, mesmo lento, anunciou ajuda milionária para os desabrigados do estado.

Mas nem Brasília nem os prefeitos assumiram a culpa pela desorganização, falta de planejamento e fiscalização do solo das cidades brasileiras.

Se “dos filhos deste solo, és mãe gentil. Pátria amada, Brasil”, tá na hora de saber quem é pai da tragédia.