Os trotes violentos voltaram a chamar a atenção de autoridades policiais e educacionais, além de pais e alunos. Nesta semana, dois casos mostraram que, passados dez anos da morte de um calouro da USP, a violência continua presente na recepção aos novos universitários.

Um dos casos aconteceu em Santa Fé do Sul, interior paulista. Uma estudante de pedagogia jogou uma mistura de creolina e gasolina numa caloura do curso de análises de sistemas. A moça, grávida de três meses, sofreu queimaduras e vai processar a estudante veterana. O outro caso também ocorreu no interior paulista, em Leme. Um estudante de veterinária foi vítima de chicotadas e obrigado a ingerir tanta bebida que teve de ser internado em coma alcoólico. Um dos agressores foi indiciado.

O que mais impressiona é a facilidade com que alguns alunos, teoricamente bem informados e quase formados, se utilizam de métodos que lembram campos de concentração, truculência de ditaduras e humilhações contra seus pares.Nesses casos, talvez seja necessário uma reflexão.

A  simples proibição do trote por parte das faculdades não basta, afinal, os casos podem ocorrer nos arredores. Algumas instituiçoes têm incentivado o trote solidário, com doação de sangue ou trabalhos voluntários e conseguem bons resultados. Mas, será que a família não deveria estar mais presente nesses episódios ? Será que não é o momento de pais refletirem sobre a formação de seus filhos? Será que os limites foram determinados na educação no período que antecede a universidade? O “não” foi utilizado no momento necessário para  esses jovens? São questões que servem, pelo menos, para reflexão sobre o comprometimento da família na formação de cidadãos que serão futuros profissionais do país.

O início da vida universitária é um período de conquistas, de esforço recompensado e alegria pelo objetivo alcançado e, certamente, não merece ser manchado, ou guardado na memória com tristeza, por causa da ação daqueles que não conseguem conter seus instintos selvagens.