O nepotismo foi banido pelo Supremo Tribunal Federal há quase um ano.

Um súmula vinculante da mais alta corte do país determinou em 20 de agosto de 2008 a proibição inequívoca de qualquer contratação de parentes no Judiciário, Executivo e Legislativo da União, estados e municípios.

Proibia nepotismo direto em que alguém contrata a própria filha, por exemplo, e o ‘cruzado’ onde um deputado contrata a filha do outro que contrata o filho do “um”. Era a amizade, amizade, negócios, desde que pagos pelo contribuinte, à parte.

Quase um ano depois da decisão do Supremo é que Lula determinou, sob pedido da Controladoria Geral da União, que os funcionários do governo informem se têm parentes na estrutura do serviço público em cargos de confiança. É o resumo do texto que está no decreto nº 6.906, publicado hoje no Diário Oficial.

A CGU diz que o objetivo é tentar descobrir eventuais casos de nepotismo no Executivo.

Mas precisou de 11 meses para isso? Eita lei demorada de “pegar”.

Seria coincidência que a medida “moralizadora” é tomada agora, quando o Senado está sob o escrutínio da opinião pública, com os escândalos da família Sarney?

O governo parece se mexer para não respingar nele o escândalo dos seus aliados no Congresso.

Mas seria “Polyana” demais acreditar que um dia os próprios funcionários se denunciassem por estarem em condição conflitante com o que determina a lei? Porque todos os apadrinhados “de confiança” ficaram sabendo da extinção do nepotismo pelo Supremo.

Não acho que se deve aliviar com cada abuso que se vê de políticos. Mas bater só em políticos e reclamar só deles é injusto.

A média do brasileiro “normal” costuma achar escandaloso o que está longe dele e que não lhe confere vantagem alguma. Se perto e pagando bem, pensa: “que mal tem?”.

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