Acabamos de passar por um apagão.

De verdade, até agora, não há ainda explicações claras. Fala-se em um tufão, uma tempestade ou coisa que o valha que teria derrubado as linhas de transmissão de Itaipú.

Que não se ouse criticar o governo por nada. Pode ser que o governo tenha ou não responsabilidade.

Quando este governo atual era oposição, a culpa seria do governo sem dúvida. Em algumas vezes, estava certo. Em outras, fez só o papel inconsequente de algumas oposições.

Mesmo assim, era melhor que ficar sem nenhuma crítica. É da democracia alguns exageros. Efeito colateral de um remédio amargo que faz bem na maior parte dos casos.

Mas, agora, sugiro não ir adiante nas críticas.

Instalou-se no país uma certeza que este governo e o presidente Lula não podem ser criticados. Não se pode “fiscalizar”, relatou o presidente dia desses. E o fez falando sério, não foi uma brincadeira. Interessante que os que criticam os críticos silenciaram nesse episódio, diante do absurdo e do abusivo proferido por Sua Excelência.

Silenciaram tal como seus intelectuais de “esquerda” (as aspas são para preservar a filosofia que define o que é esquerda e não merece ser comparada à atual dita esquerda brasileira).

E escrevem reclamando que só se escreve coisas ruins do governo Lula.

Quanta injustiça! Esse governo teve por várias vezes a “compreensão” extremada da imprensa e deste blogueiro também. Aliás, deu-se mais compreensão do que se deveria. Não teria sido assim fosse quem fosse um outro eventual governo.

O que é preciso é que os partidários sérios do Lulismo entendam (porque os que são pagos em cabides de estatais, sindicatos e repartições não conta) é que um governo deve entender o contraditório, compreendê-lo. Este governo só está onde está porque usou da crítica como nunca, o que lhe garantiu exposição até sua eleição.

Por que a crítica, como instrumento democrático, agora ficou ruim? É o atual governo um exemplo de eficiência? Nada estaria errado? Você poria sua mão no fogo?

Caetano Veloso, que dia desses exagerou/errou a se achar, mesmo sendo popular e conhecido, no direito de ter benefício fiscal para financiar seus shows, voltou à velha forma de um intelectual diferenciado que pensa, expõe suas idéias e não tem medo da reação, como relata hoje na Folha Fernando de Barros e Silva:

“Detesto essa mania de que nada se pode dizer que não seja adulação a Lula”.

É demolidor para essa tentativa de que tudo que deve orbitar na constelação lulista é o elogio e o comentário de que “ah, esse é o Lula”, tirando do presidente qualquer responsabilidade maior porque teve origem humilde e pouca escolaridade.

Como jornalista, conheci Lula na oposição e vi como ele tem a exata noção de sua importância e grandeza. Ele não precisa e não deve ser tratado como coitado. De origem humilde, sim, mas com uma trajetória de sucesso, Lula é hoje o presidente do país.

É como presidente que se deve tratá-lo. Que se deve pensá-lo.

Aliás, pensar é bom sempre. Permite ir além do medíocre de uma sempre alegada rivalidade entre um e outro lado. O país e a crítica merecem mais que isso.

Por isso, pense.

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